“Por que ressono?” – Descubra se pode ser Apneia Obstrutiva do Sono e como ela afeta a sua saúde
Acorda com cansaço, mesmo depois de horas a dormir? Alguém já comentou que ronca durante a noite? Ressonar é um problema comum e pode ser um sinal de alerta para um distúrbio sério do sono chamado Apneia Obstrutiva do Sono.
Neste artigo, vamos explicar o que está por trás destes sons noturnos!
O que é o ronco?
O ronco é um ruído produzido durante o sono, causado pela vibração dos tecidos da garganta (palato mole) à medida que o ar passa pelas vias respiratórias.
Quando acontece o ronco?
Geralmente acontece quando os músculos da região estão relaxados e o fluxo de ar tem dificuldade em circular, fazendo com que os tecidos da garganta vibrem e gerem o tal ronco.
O que é a apneia obstrutiva do sono?
A apneia obstrutiva do sono é uma condição em que ocorre o fecho total (apneia) ou parcial (hipopneia) das vias aéreas superiores durante o sono – o que impede ou reduz a passagem do ar para os pulmões, interrompendo temporariamente a respiração.

Quais os sintomas da apneia obstrutiva do sono?
Na maioria dos casos, a pessoa com apneia do sono não percebe que tem dificuldade em respirar durante a noite. Muitas vezes, é alguém próximo – como um parceiro ou familiar – que nota sinais preocupantes durante o sono, como paragens respiratórias ou ronco intenso.
Mesmo sem notar o que acontece à noite, o próprio paciente pode apresentar sintomas ao longo do dia ou ao acordar, tais como:
- Excesso de sonolência durante o dia;
- Irritabilidade ou oscilações de humor;
- Dores de cabeça matinais;
- Dificuldade de concentração;
- Perda de memória recente.
Durante o sono, é comum observar:
- Ronco frequente e alto;
- Sensação de engasgamento ou sufoco;
- Paragens respiratórias notadas por terceiros;
- Despertares frequentes durante a noite;
- Insónias ou dificuldade em manter o sono;
- Sono agitado, com muitos movimentos;
- Necessidade de urinar várias vezes à noite.
Quais os fatores de risco da apneia obstrutiva do sono?
São várias as condições e características que podem aumentar o risco de desenvolver apneia obstrutiva do sono. Conhecer esses fatores ajuda a estar mais atento aos sinais e a procurar ajuda médica, se necessário.
Os principais fatores de risco incluem:
- Histórico familiar;
- Excesso de peso (obesidade);
- Idade, especialmente a partir dos 40 anos;
- Alterações anatómicas, como amígdalas aumentadas, língua grande ou desvio do septo nasal;
- Congestão nasal crónica;
- Consumo de álcool e tabaco;
- Dormir de barriga para cima.
Muitos destes fatores podem ser controlados ou melhorados com mudanças de estilo de vida e acompanhamento médico adequado. Manter um peso saudável, evitar o consumo de álcool e tabaco e ajustar a posição ao dormir são medidas que podem reduzir significativamente o risco de desenvolver apneia do sono.
Porque é o Médico Dentista importante na avaliação e suspeita da apneia obstrutiva do sono?
Existe uma ligação direta entre a apneia obstrutiva do sono e sinais visíveis na saúde oral, como por exemplo, o desgaste dentário (bruxismo do sono). Pois parece que após um evento de apneia (paragem da respiração), há um aumento da atividade dos músculos da face (músculos da mastigação), para o paciente tentar voltar a respirar e, com isso, range a mandíbula para a frente.
Esta relação direta permite que, em muitas situações, o Médico Dentista seja um dos primeiros profissionais a suspeitar da presença de apneia obstrutiva do sono e encaminhar o paciente para o diagnóstico e tratamento adequado.
Como se diagnostica a apneia obstrutiva do sono?
O diagnóstico da apneia é feito numa clínica do sono através de um exame do sono – a polissonografia.
No entanto, o Médico Dentista da área do sono pode avaliar principais características anatómicas da região orofacial que possam estar relacionadas com a apneia e, em caso de suspeita, pode fazer um rastreio através de um estudo simples – poligrafia respiratória.
Este estudo do sono é realizado no conforto de casa do paciente, com o apoio de um dispositivo portátil, pequeno e fácil de usar, que deve ser ligado na hora de dormir. Durante a noite, este equipamento regista vários dados relacionados com a respiração e qualidade do sono.
Existe tratamento para a apneia obstrutiva do sono?
Sim, existe. O tratamento depende das características clínicas de cada pessoa e dos resultados do estudo do sono.
Os pacientes são encaminhados e tratados por uma equipa multidisciplinar, na qual fazem parte Médicos Pneumologistas, que dirão o tratamento mais indicado para cada caso.
Há determinados casos clínicos como as apneias leves ou leve-moderadas sem patologias associadas que poderão beneficiar de um dispositivo intraoral personalizado, utilizado durante a noite.
Este dispositivo – feito sob medida por um Laboratório de Prótese Dentária – ajuda a reposicionar a mandíbula durante o sono, mantendo as vias aéreas superiores desobstruídas.
Para além de um tratamento não invasivo, é cómodo e fácil de transportar, o que contribui para um maior conforto e melhoria significativa na qualidade de sono e de vida.
É durante o sono que a nossa mente repousa e o nosso corpo realiza funções vitais para a saúde, como o fortalecimento do sistema imunitário, a produção e regulação de hormonas, e o relaxamento e recuperação muscular.
Cuidar da qualidade de sono é cuidar de si – e tratar a apneia do sono pode ser o primeiro passo para voltar a dormir bem, viver com mais energia e proteger a sua saúde a longo prazo.
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